Portais


Ele, o dos olhos agitados

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- É ele! É ele! E vai passar em frente à nossa rua! Depressa! Eu quero falar com ele!
- Mas é claro que eu vou falar com ele. Eu QUERO falar com ele.
- Para o carro! Isso... Abre a porta!!! Ligeiro! Eu tenho que ir logo, antes que ele atravesse!
- Mesmo quebrando a regra que eu estabeleci, eu vou fazer isso! Por favor, não me impeça! Eu PRECISO.
Desci do carro estacionado e fui em direção à esquina. Deparei-me com ele já a passar a rua.
- Será que ele não vai olhar para cá?
("Olha... eu não vou se você não vier").
E ele olhou! Avistou-me parada-patética a contemplá-lo num indeciso passo incerto em sua direção. Notando a minha vontade confusamente contida de correr ao seu encontro, ele percorreu a distância que nos separava e parou em frente a mim, na calçada alta. De ar taciturno, era mesmo ele, o dos olhos agitados a fitar os meus olhos. Outra vez pude ver suas pupilas dançarinas (ah... como eu gostava de observar o frenesi delas!). Era o único dono de um doce e fraterno olhar que impunha um entendimento sem palavras. E entre um meio sorriso ele abraçou-me inteiramente como no tempo que passou. Eu sabia, e ele também, que o que estava acontecendo não mudara a regra, que seria um instante e nada mais. Uma espécie de gás para um lampião que já estava se esvaecendo. E, no mormaço de seu abraço inteiro, ouço o sussurro de sua voz mais uma vez: "I love you so much". Sobre ele também pesava a falta do que fomos. Suspiro provando o gosto amargo de todos os transtornos que tudo o que eu sinto causou.
Alguém me chama.
É hora de ir.
Com os olhos nublados me despe[da]ço outra vez para sempre: "Eu te amo". Olhando para os meus pés e sem dizer mais nada, me viro e caminho compelidos passos em direção ao portão de minha casa, o mesmo que ouvia nossas longas conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.
~
Acordo. Já estava amanhecendo, mas eu anoitecendo. Foi um sonho que apenas eu o sonhara.
Mais uma vez a saudade tornou a escorrer de meus olhos.

Estrelinha

- É, você tem uma luz tão grande que, às vezes, não compreendo como pode estar só e, assim, o ser.

"Vem, acende a sua luz perto de mim"
Vagalume - Pato Fu

Meninorréi


Pendendo

Resolvendo umas pendências tuas que, ainda, me prendem do lado de fora.
Me deixando ir para lá e para cá, sem segurança e nem onde me apoiar.
Mas, acredite, estou para restabelecer o meu lugar.

Ôxe, ainda te tiro inteiro 'daquidentro' e te jogo, todo, nestas letras tortas.