Esperando o dia de esperar ninguém

Olha bem aqui!

Aqui, nos meus olhos.

Veja se ainda é possível ver a fumaça que dará lugar ao vazio, onde antes havia a chama. O fogo que aquecia a minha alma, aquele que tu mesmo acendeste e que, de maneira tão leviana, apagastes. Não sei como podes fazê-lo sem queimar-te, sem causar danos a ti também. Ou melhor, sim, bem sei como. És mais forte que eu e, posso ver agora, tua personalidade não mudou, ainda é vil. Deste esperança a mim, mês após mês me alimentaste com frágeis promessas sobre as quais edifiquei sonhos, o meu lugar no futuro. E, num gesto egoísta, com um sopro desfizeste o meu alicerce. Tomastes outra vez o que me destes e que era meu por direito.

Esgotaste-me as forças. Estou seca. Deixaste-me seca, sem abrigo sobre os meus escombros. E, como se não te bastasse o mal que me causaste ainda me forças a permanecer aí, dentro da tua vileza, pois sabes que me amarraste as mãos e as pernas e não tenho como livrar-me tão cedo.

Mas ainda sobraram-me os olhos, os ouvidos e a boca. Podes ter impedido-me de me mover, mas não vais conseguir sufocar o meu grito. E, quando eu estiver cheia outra vez, não vais alcançar o meu voo.

Não fui feita para servir a ti. Sou bem maior. Meus olhos foram feitos para brilhar e a minha alma para arder.

2 comentários:

Pâmela Marques disse...

Lembrei, apesar de não lido completamente, do romance O morro dos ventos uivantes.
Menina, os homens costumam nos magoar, acho que já é da natureza deles. Respiremos fundo então.


Beijo.

Meninarréa disse...

Isso que eu acho lindo na palavra escrita... ela tem muitas faces!