As borboletas

Dizem que não se deve procurar por essas tais borboletas, nem tentar pegá-las, pois é quando menos se espera que surgem e pousam sobre aqueles que suportaram o período necessário.

No meu coração de menina eu resistia a essa idéia com a veemência obstinada dos seres que acabaram de iniciar a grande jornada. Como uma criatura tão bela e delicada (pelo que dizem), poderia ser tão temperamental privando a sua apreciação aos que anseiam contemplá-la e sentir a sutileza do toque de suas asas?

Bem, depois de muito andar e me perder, eu encontrei o lugar onde elas se escondem! Deslumbrada com a magnitude do meu achado, não resisti ao impulso de tentar alcançá-las, mas voavam tão alto que meus saltos acanhados e a minha desastrada habilidade infantil não foram capazes de me conseguir uma.

Ah... Como eu fiquei chateada!  Esperneei e chorei, mas nenhuma se compadeceu do meu lamento. Aos poucos o meu pranto foi enfraquecendo e a conformação me consolando. Eu teria que aguardar por sua boa-vontade!

Nossa, como são esquisitas e, ainda assim, almejadas, essas borboletas! Acuada pelo secreto tempo imposto por elas, cá estou eu a esperar uma pousar e sem saber como voltar...


Um comentário:

José Francisco disse...

Muito boa essa sua narração...Essa vontade de segurar uma borboleta é generalizada, são seres exuberantes que não nos contemos somente de admira-las e imaginar de onde vem tanta beleza, temos que segura-la e devido sua delicadeza as vezes as machucamos, assim sem querer. Aguardando esse pouso temos que nos concentrar em não pega-las quando acontecer, afinal são seres frágeis que não machucam ninguém...Apenas admire.
José Francisco