Minguante


Ao fundo a música cessou. Olhei para o céu: havia uma linda cena no firmamento. Lembrei de você. A Lua, a qual diversas vezes observamos, estava com o seu sorriso minguante. Será que você, ainda, me recordava? Meus olhos nublaram-se como os meus pensamentos. Detive-me na contemplação daquela forma de riso triste (você, ainda, estava forte em mim) e olhando para a vizinha e cintilante Castor eu o via. Mais ao lado, Pollux me presenteava com o seu fulgor. Esta seria eu? Tão próximas uma da outra, aos meus olhos estavam, e milhares de anos-luz separadas no infinito azul – divaguei. Porém, havia mais alguém que não era para estar ali, pois uma quarta luz estava acesa, um planeta intruso em minha cena lírica perfeita.

Pla.ne.ta, do grego "planētēs" (errante, aquele que vagueia), luzes que se movem através do céu em desacordo com as estrelas.

Um astro errante, errado. E, olhando para a tristeza do luar, percebi que, na verdade, o papel que me cabia naquele teatro noturno, naquela cena poética, era este. Eu era a errante, a errada. Não fora designado para mim o papel de estar ao seu lado. Eu deveria seguir o meu ciclo, mais alguns dias e eu não estaria mais ali, próxima a você. Ser Pollux competia à outra pessoa. Esta era a realidade. O meu presente, meu futuro. Não mais você. E como a Lua estava eu fiquei: minguante.

Um comentário:

Meninarréa disse...

Tudo bem... está parecendo com a cabeça do Darth Vader... Fora isso, mais algum comentário? =P